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sexta-feira, junho 11, 2010

Viver em Sociedade: O trabalho do corpo

 

Vivemos actualmente num mundo estereotipado que dá importância à plena forma física, em detrimento de tudo aquilo que é verdadeiramente importante. Hoje, em todo o lado, há quem se preocupe com a sua aparência, procurando atingir patamares inatingíveis, desleixando-se em campos que são fundamentais para alcançar o estado que tanto ambicionam mas que na prática não passa pelo corpo, antes pela mente.
Ter um corpo escultural, esculpido cuidadosamente nas longas horas de ginásio e graças aos muitos anabolizantes facilmente encontrados à venda, é uma meta atingível para muitos, impensável para outros, mas no fundo, um mal necessário na procura de um lugar ao sol nas conturbadas regras e preferências da nossa sociedade. Se olharmos bem à nossa volta constataremos que são poucos aqueles que, dotados de corpos de causar inveja, têm trabalhos comuns. Muitos dedicam anos da sua vida na procura incessante do corpo perfeito, com o único objectivo de assim terem um passaporte para uma vida mais fácil, nem que seja de aparências. Modelos, actores, bailarinos, apresentadores, relações públicas, são estes e tantos outros trabalhos que fazem parte do vasto leque de ambições de quem possui um corpo trabalhado e tenta vencer na vida às suas custas. Esquecem-se porém, daquilo que é inevitável e que o tempo se encarregará de lembrar: nada é para sempre.
Nas vidas de quem luta contra o passar dos anos e o rumo natural da vida, sofrer com os sinais tempo pode ser algo que jamais consegue ser ultrapassado, acabando por ser interpretado com um claro retrocesso na luta pelos seus objectivos. Envelhecer é uma palavra que não consta nos seus dicionários e ver o corpo a “desmoronar” causa mais problemas psicológicos do que físicos. É uma vida inteira perdida, uma batalha invencível e que não pode ser travada. Muitos têm a vida que sempre escolheram. Outros, como se diz, morrem na praia a tentar. Porém, não serão os únicos que lutaram pelo seu lugar ao sol através da forma física. Há muitos que o fazem e cada vez há mais. Enquanto não perceberem que o corpo não pode ser considerado um meio de trabalho, ou passaporte garantido para um, a sociedade jamais evoluirá. Afinal, para desempenhar qualquer que seja o papel na escola da vida é fundamental existir aquilo que é sempre relegado para último lugar na tabela das importâncias, talento e, essencialmente, saúde!

Anselmo Oliveira 

domingo, maio 02, 2010

Viver em Sociedade: Família e Tecnologia 2


Na passada semana dei exemplos do uso da tecnologia e da sua implementação no dia-a-dia. Hoje irei falar do que pode ser feito para que ambas as gerações usem a tecnologia da melhor forma, aproveitando a mesma para estreitar relações.
Há quem diga que novos e velhos não conseguem trabalhar em conjunto: é mentira! Todos conseguem trabalhar bem e em conjunto quando as coisas são devidamente planeadas e trabalhadas. A intergeracionalidade é algo que nos dias de hoje faz todo o sentido. Os mais novos trabalham com os mais velhos os novos saberes tecnológicos, enquanto os mais velhos falam abertamente da vida real, tendo uma perspectiva do passado, do presente, mas com os olhos postos no futuro.
Podem até dizer que não gostam, que não querem, podem até não ser bem aceites no início, mas tudo isso é consequência de uma mentalidade fechada e ainda por modificar, dos estereótipos de que já falamos, bem como das categorizações. Ser velho não é sinónimo de decadência e ser novo não quer dizer violência ou desrespeito. É preciso mediar!
Cada um tem a sua perspectiva sobre as coisas e não adianta querer mudar logo a visão dos acontecimentos. Mais uma vez, o tempo é o melhor remédio.
Alguns dos casos de trabalhos entre gerações, levaram a que fossem publicadas obras literárias, cujas ideias principais se encontram dispersas subtilmente por este texto e pelo anterior.


Uma das técnicas mais usadas é do uso de tecnologia em lares, mas aqui não me refiro em concreto a lares, mas sim às famílias. Em vez dos pais ficarem a reclamar sobre o porquê do filho estar trancado no quarto a jogar computador ou consola, que tal irem ter com o filho e jogar também. É uma forma de diversão diferente, estranha e unificadora que irá aprimorar a relação existente.
Tentar que os pais dêem uma oportunidade e principalmente abertura de espírito aos filhos é o ponto central a debater e ter em conta. Não será de certo uma mudança rápida e da noite para o dia, não deverá ser levada até à exaustão, mas deverá sim ser tentada e aperfeiçoada a cada caso e a cada casa.

Anselmo Oliveira

domingo, abril 25, 2010

Viver em Sociedade: Família e Tecnologia 1


Olá muito boa noite, seja bem-vindo a mais uma rubrica “Viver em Sociedade”. Hoje, de entre os muitos problemas que existem e dos quais poderia falar, destaco as diferentes gerações e a adaptação que cada uma tem de fazer para conviver em harmonia.

Os mais jovens já devem ter ouvido em algum lado a célebre frase “No meu tempo não era nada assim…”, que por sinal nunca vem por acaso e sem uma longa explicação de como era a vida há uns cinquenta anos atrás. É compreensível pois todos nós sabemos que a vida noutros tempos não foi fácil, assim como continua a não ser. A única diferença que há entre um tempo e outro é isso mesmo, o tempo. Os tempos são outros, mais avançados, com mais recursos e mais comodismos, no entanto, não há que dizer que a vida é mais fácil agora: a vida é outra!
Há cinquenta anos atrás era impensável este post ser lido por milhares de pessoas em todo o mundo via Internet. Aliás, para deslindarem a frase era preciso saberem o que raio é a Internet e por conseguinte um post!

É verdade que as pessoas mais velhas são as que menos receptivas estão às novas tecnologias. Afinal, se tivermos em conta que viveram grande parte da sua vida sem elas, é compreensível. O que não se compreende é quando vetam o acesso à nova geração as maravilhas que a tecnologia pode proporcionar. Pior mesmo é quando não querem adaptar-se a algo que só os poderá ajudar, queixando-se disto e daquilo que com um simples clique poderia ser resolvido.
A distância entre familiares que estão no estrangeiro por vezes é desculpa para diminuir o contacto com os mesmos ou motivo para choradeira intensa – com a Internet o problema está resolvido.
As candidaturas a novos empregos já não passam por um simples contrato de palavra, é preciso um currículo que deverá ser enviado, preferencialmente por e-mail, ser o mais arrojado possível e por vezes passar pelo youtube, quanto às entrevistas já não têm que ser feitas pessoalmente, bastando apenas estar on-line. As novas regras estabelecidas nalguns centros de saúde requerem o uso da Internet para marcação de consultas. Os alunos já não usam dinheiro nas escolas, usam cartões.
Estes são alguns dos exemplos que se podem dar onde a tecnologia está implantada. Fazer-lhe frente não adianta e só irá trazer consequências para quem o faz. Em breve o Mundo será totalmente tecnológico e o Mundo tradicional por onde alguns de nós já passámos, não será nada mais nada menos que parte de uma memória que com o tempo tenderá a desaparecer.

Anselmo Oliveira

domingo, abril 18, 2010

Viver em Sociedade: Drogas


Há assuntos que merecem ser tratados com especial dedicação e apesar de tentar através desta rubrica falar daqueles que ainda são considerados os casos mais flagrantes, não podia deixar de abordar um tema que, embora seja mais usual e até considerado aceitável é ainda hoje assunto de discussão, principalmente entre os mais jovens. O consumo de drogas está presente no nosso dia-a-dia e todos o fazem. Quem diz que não, estará certamente a mentir ou ainda não sabe do que estou a falar. Se fuma, bebe café ou até usa medicamentos, faz parte de uma grande percentagem de adictos às chamadas drogas leves e legais. No entanto, não é dessas drogas que venho falar hoje e sim das mais pesadas e ilícitas, com prazer a curto prazo e consequências ao longo longo da vida. 
Não vou recriminar quem usa regularmente em busca de diversão, prazer e adrenalina instantâneos, mas antes alertar para os perigos que o uso abusivo de drogas pode trazer posteriormente. Para que tenhamos percepção do que são drogas convém defini-las. Entenda-se então por drogas todas as substâncias que quando são administradas no organismo podem modificar o seu funcionamento.
O uso de qualquer tipo de droga, a longo prazo, pode originar problemas que vão desde o físico ao mental. Por norma, consequências dos abusos de drogas são a perda de musculatura, peso e perturbações mentais. A fragilidade com que se fica após o uso de drogas não está apenas ligada à parte exterior, embora esta seja a mais flagrante. Muitas vezes o sangue é afectado, o coração, pulmões, fígado, etc. Claro, depende de que substância se trata.
Outra parte do ser humano que fica permanentemente afectada é a sua relação com a sociedade, começando inevitavelmente pela família e amigos. Ninguém está preparado para aceitar e lidar com uma pessoa adicta, apesar de todos os esforços que são feitos pelo Estado para que seja possível a recuperação e posteriormente reintegração destas na sociedade. Claro está, refiro-me a clínicas de internamento e acompanhamento especializado, onde os técnicos desenvolvem pacientemente e corajosamente o seu trabalho. As emoções e relações mantidas são fortemente abaladas e postas à prova, principalmente para quem está fora do mundo das drogas. Quando as amizades são verdadeiras e inabaláveis, é feito de tudo para conseguir tirar o ente querido de tal vício, mas por vezes todos os esforços são poucos e parecem inúteis. Não são! Primeiramente é preciso fazer ver ao outro onde está a entrar, alertando-o para os perigos associados e acima de tudo, fazer sentir que está a ser apoiado. Embora pareça pouco, tal facto é determinante para entrar ou não neste mundo. A terapia de choque é também frequentemente utilizada, uma vez que histórias de vida podem ser contadas, imagens e documentários mostrados, assim como um cem número de coisas podem ser utilizados com o fim de afastar quem quer que seja das substâncias ilícitas. Por vezes, todo este processo não basta e há quem acabe mesmo por entrar nesse Mundo substancialmente perigoso, uma roda-viva, um turbilhão de sentimentos e emoções…

Muito podia ser dito sobre as drogas e espero ainda vir a fazê-lo, no entanto, fica aqui uma pequena abordagem ao tema. Para terminar o assunto coloco algumas questões: Visto serem mais as consequências que os benefícios, para que lado deve pesar a balança jurídica aquando da sua proposta de legalização? Já sabemos o que os mais jovens querem, mas será correcto que para o benefício de uns paguem todos? Afinal, a ser legalizado o consumo de droga, quem sofrerá mais, pais, amigos ou quem consome? Na minha mais modesta opinião sofrem todos e saem todos a perder. Afinal, neste negócio das drogas só sai beneficiada apenas uma pessoa: o vendedor.

Anselmo Oliveira 

domingo, abril 11, 2010

Viver em Sociedade: Sexualidade


“A verdadeira educação sexual é a educação da capacidade de amar.”
Muller

Olá a todos!  Esta semana falarei de um tema que a todos diz respeito mas que ainda hoje é considerado tabu. Dele posso dizer que todos fazem, todos falam e quem não fez sempre anseia por fazer: sexo! Tão natural como qualquer outra coisa, é ainda hoje tema tabu nas escolas, na rua, em casa e até mesmo onde quer que se debata. 
A verdade é que muitos jovens cometem erros na hora de iniciar uma relação sexual, que passa muitas vezes pelas noções básicas que se deve ter, tais como colocar um preservativo ou tomar a pílula. Se o primeiro pode até ser mais fácil de aprender, o segundo já não tanto. Não basta tomar os comprimidos quando se tem relações, há que tomá-lo sempre a partir do momento em que se inicia uma vida sexual activa, mas para melhor explicações nada melhor que um especialista na área de planeamento familiar.
Mas sexualidade, como é vista pela grande maioria, não se reduz apenas ao simples acto de ter relações e praticar, freneticamente, sexo. Não! Sexualidade passa por ser muito mais do que isso. Desde as modificações do corpo, os sentimentos de afectividade e desejo pelo corpo masculino ou feminino, as atitudes e comportamentos respeitante às relações existentes com o outro, a aceitação, respeito e compreensão, tudo é sexualidade.   
Não se pretende, contudo, tornar a temática libertina quando se fala nela, nada disso. O que se pretende é que haja uma abertura instintiva e gradual para que se fale no tema com naturalidade. A falta de diálogo sobre o tema só faz com que simples dúvidas se transformem em grandes problemas, afastando por vezes as pessoas do grupo de amigos por não se sentirem à vontade em falar. Por vezes, uma das consequências da falta de informação útil é a precipitação e promiscuidade do acto sexual. De tanto querer saber, acaba-se por experimentar.
Falar abertamente de sexo desde os primeiros anos de vida é o mais aconselhado, mas claro, falar com conta, peso e medida, tentando sempre ajudar e não prejudicar.
Pretende-se essencialmente desenvolver uma atitude positivista relativamente ao sexo, em que seja possível:
- Aceitar as mudanças fisiológicas e emocionais próprias da sua idade;
- Aceitar a sua identidade sexual e da dos outros;
- Reconhecer a importância da componente afectiva na vivência da sexualidade;
- Prevenir face aos riscos da saúde sexual;
- Aceitar o direito de cada pessoa decidir sobre o seu próprio corpo.
Actualmente a sexualidade é vista pelos jovens única e exclusivamente como uma forma de prazer, que a transformam em sexo por sexo, ou seja, sem sentimentos, sem paixão, sem amor, em algo que se limita ao prazer físico, do corpo. Essa ideologia está a banalizar o assunto e tudo o que a envolve, diminuindo a sua importância e o peso que tem. 
Sexualidade é no fundo uma descoberta de quem somos. A descoberta do corpo, de sentimentos, de novas sensações, de tudo o que diz respeito a nós e a uma relação. É verdade que a prática de sexo não tem necessariamente de envolver todos estes sentimentos, mas sem eles será apenas sexo.
Ainda há muito por fazer no que toca à temática do sexo, por isso, depois desta pequena introdução ao que é pretendido quando se aborda o tema, é provável que surjam textos mais aprofundados e explicativos sobre o mesmo.


Anselmo Oliveira

domingo, abril 04, 2010

Viver em Sociedade: Homossexualidade


Em pleno século XXI ainda há quem lute desesperadamente pelos mesmos direitos. Se antigamente a batalha era travada entre Homens e Mulheres, agora a guerra mudou de lado e tem juntos Homens e Mulheres, mas com pequenas particularidades. Apesar de não quererem categorizações é inevitável que tal aconteça. Durante anos considerados doentes, os homossexuais exigem que os tratem com respeito e lhes dêem os mesmos direitos que dão aos heterossexuais.

 Falar de discriminação é inevitável, mas a polémica instala-se quando nela se fala. Os direitos matrimoniais, a adopção e o simples gesto que é dar sangue, são direitos vetados a quem se assume como homossexual. Numa sociedade que é cada vez mais heterogénea, aceitar aqueles que são considerados "homogéneos" é praticamente impensável e quem os aceita é igualmente visto de lado.

Por onde começar para encontrar a resolução do problema? Essa é a grande questão que até hoje não tem resposta. Se por um lado atribuem a culpa aos heterossexuais, por outro são os próprios os acusados de se destacarem do resto da sociedade, fazendo questão de vincar as diferenças. No trabalho, na escola, na rua, e principalmente em casa, deve ser trabalhada a questão da igualdade de direitos.
Mas não se deve focar apenas um lado. A questão religiosa tem um peso muito importante e quem é religioso de fortes convicções não consegue aceitar as diferenças. O motivo parte de cima, do mais alto poder da Igreja, que ainda que possa admitir casos de pedofilia, adultério, violações e mesmo de homossexualismo no seio dos seus, não consegue ouvir o que realmente é pretendido pelos homossexuais: o direito à igualdade.
Assumirem-se é penoso, a família muitas vezes não consegue aceitar, muito por culpa da pressão exercida pela própria sociedade, acabando por expulsar e até agredir aqueles que amam mais do que tudo. A culpa do porquê ter acontecido e questionarem-se onde erraram, são sentimentos que vêem ao de cima e que por vezes nunca chegam a ser ultrapassados. O tempo é a única solução para o problema, mas enquanto não faz efeito, o que realmente acontece com quem ousou sair do esconderijo? Amigos e familiares compreensivos podem ser a resposta, mas nunca se terá a certeza do que acontece. Fisicamente as coisas podem ficar na mesma, caso não aja violência, mas psicologicamente as coisas ficam indescritíveis e raramente voltam ao normal.
Porque é que tudo tem de ser assim, se deveria ser considerado normal? Porque é que se escolhe ser homossexual em vez de heterossexual? Porque é preciso assumir uma coisa que se é? Porque é que nunca ninguém se põe no lugar do outro e por uns momentos sente na pele o que o outro está a sentir?
São questões que ficam no ar e a que ninguém responde. Não por medo, por vergonha, mas porque não são capazes de encontrar a resposta. São coisas que se fazem, sempre se fizeram e ninguém sabe porquê, nem que começou. Ninguém é homossexual a partir de certa idade. Quando se é, nasces-se a ser e não há volta a dar por muito que se queira. Resta assumir-se interiormente, aceitar-se como é e só muito depois, se assim o entender, dar a conhecer-se a quem acha importante.
O problema maior de "sair do armário" é que muitas vezes a própria família nega incessantemente o que está à vista de todos e quando tem as suspeitas confirmadas entra em negação sobre aquilo que sempre soube: a verdade!

Anselmo Oliveira 

domingo, março 28, 2010

Viver em Sociedade: Bullying

Olá a todos! Estou a pensar em dedicar os domingos a um tema específico, que pode ter ou não a ver com o blog. Há muitos temas que para além de não serem debatidos, são ignorados por quem devia fazer alguma coisa e não deixar passar em branco. Assim, cabe-nos a nós cidadãos do Mundo, alertar para os mais variados problemas que nos assolam agora e que  vão continuar até que alguém faça alguma coisa. É só um post, entre tantos, que pretende alertar os mais distraídos para o que se passa à nossa volta e mais uma vez reforçar o mítico ditado popular "Não deixem para amanhã o que podem fazer HOJE".

Existem na sociedade vários problemas que ninguém quer ver, ninguém quer denunciar, mas que todos tememos. A violência sempre foi um desses casos. Todos sabemos como se processa a violência nas suas mais diversas formas - psicológica, física, verbal - mas ninguém sabe o porquê da sua existência. Não se é violento por que se quer ou nasce com tendência para tal. É-se violento porque algo nos é incutido erradamente e aos primeiros sinais não é dada a devida atenção. 
Actualmente fala-se muito no bullying ou violência escolar. O fenómeno não é novo e sempre existiu, mas tem-se alastrado rapidamente a toda a população juvenil, fazendo até vítimas mortais. Como se pode intervir com jovens que são vítimas ou agressores? Bom, a sensibilização não basta e é preciso ir mais além. Procurar as famílias de ambos os lados, de quem agride e de quem é vítima, e coloca-las a par da situação é uma das formas existentes para controlar a situação, ou pelo menos para por as famílias a par do ocorrido. Algo que nunca se deve fazer é falar directamente com o agressor, pois isso só trará consequências para a vítima, que foi fazer "queixinhas". 
O facto de se sentirem superiores com a desgraça dos outros é um indicador que tem de ser detectado antes mesmo das possíveis agressões. Detectar também os alunos que andam mais afastados dos colegas ou que por norma são os últimos a serem escolhidos para as actividades escolares também pode ser fundamental, o que revela uma distância entre aquele aluno e o resto da turma.
Numa sociedade em que o valor das coisas anda na ordem do dia, quem não usa produtos de marca "X" ou "Y" é por norma alvo de chacota entre os colegas. Ainda que não passem de simples brincadeiras, podem ter consequências graves se vierem na sequência de outros tipos de violência. Quando isso acontece, cabe aos professores/educadores/pais/amigos alertar para a situação e fazer ver à criança/jovem que o facto de não se usar artigos de marca não impede ninguém de ter o seu valor enquanto ser humano. A intervenção a fazer deve ser de alerta, pois muitos não fazem ideia de que as "marcas" são produtos supérfluos e que nos tempos que correm, em que muitas pessoas não têm dinheiro para comer, gastar dinheiro em artigos de "marca" é por vezes considerado uma "ofença". Já que se fala de "marcas" pode-se também fazer uma intervenção em educação para o consumo, explicando devidamente como tudo se processa, falando superficialmente no marketing que envolve as "marcas" e que lhes dá prestígio e notoriedade. 

Como dá para ver, falar de bullying é falar de tudo. Falar do que está bem, falar do que está mal, arranjar estratégias para chegar à solução e caso não dê certo voltar a fazer tudo de novo...
Não há um principio nem há um fim no bullying, mas existe um meio a trabalhar em prol do que ainda virá. 

Anselmo Oliveira

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