domingo, março 07, 2010

Olhemos para nós, pensemos nos Outros


Quantas vezes passa na rua e por instinto vira a cara, muda de direcção ou disfarça a situação ao ver uma pessoa que lhe causa repulsa? Mendigos, Obesos, Deficientes, Idosos, toda uma população que é descriminada apenas por ser diferente dos padrões normais sociais. Já pensou no que vai pelas suas cabeças quando se apercebem disso? Como ficaria se alguém se sentisse desconfortável apenas com a sua presença? De certo não iria gostar. Se se enquadra nas "categorias" acima referida com certeza sabe do que falo, é quase impossível não se sentir mal. A sociedade está formatada para certos padrões e tudo o que fuja deles é considerado "defeituoso", logo posto de parte. 
Tudo funciona de maneira simples, imaginemos a sociedade actual como uma fábrica. As peças boas são automaticamente aprovadas, as más reprovadas e colocadas de lado para dar origem a outras. Infelizmente na nossa sociedade também é assim, com a excepção de que o "produto defeituoso" não pode ser transformado num novo sem problema. Não pode ser transformado mas pode ser adaptado, e é essa adaptação que é preciso fazer agora. Não só adaptar à sociedade o que ela rejeitou, mas também trabalhar na sociedade a inserção do que foi rejeitado. Assim, ambas as partes iriam estar aptas a darem-se uma nova oportunidade e quem sabe viver bem em harmonia. 
Tudo não passa de uma obra inacabada que a cada pequena vitória, tal como esta, se vai preenchendo um pouco mais, até ficar concluída. No entanto, há que dar o primeiro passo para que tal aconteça, o que ninguém está disposto a fazer. Se o artista não pintar, a tela não se conclui e a obra não nasce!

quinta-feira, março 04, 2010

Bullying, não podemos ignorar!

Este post não tem a ver com o tema do blog, mas retrata uma realidade cada vez mais acentuada no nosso país e no Mundo. Infelizmente, Leandro irá ficar marcado como a primeira criança que se suicidou em Portugal devido aos abusos constantes de colegas, acabando por ser vítima de bullying...tinha 12 anos.
Os primeiros sinais devem ser denunciados, não se deve deixar andar, fechar os olhos, fingir que não se viu...são vidas de crianças que estão em risco, e tudo por culpa de uma má educação afectiva...

(imagem meramente ilustrativa de vítima de Bullying)

Ontem, quarta-feira, Christian não foi à escola. No dia anterior, almoçou à pressa na cantina, saiu aflito para o recreio quando viu, mais uma vez, o corpo franzino de Leandro, primo e amigo de 12 anos, ser espancado por dois colegas mais velhos.
Depois, perseguiu o rapaz que, cansado da tortura de quase todos os dias, ameaçou lançar-se da ponte, ali a dois passos. Perseguiu-o, impediu-o. Por fim, imitou-lhe os passos, degrau a degrau, até à margem do rio Tua. O primeiro estava decidido a morrer: despiu-se, atirou-se. O segundo estava decidido a salvá-lo: despiu-se, atirou-se.
Leandro morreu - é a primeira vítima mortal de bullying em Portugal; Christian agarrou-se a uma pedra para sobreviver. Antes, arriscou a vida a dobrar: digestão em curso em água gelada. Eram 13.40 horas. Ontem não foi à escola. Os pesadelos atrasaram-lhe o sono. Acordou cansado, alheado, emudecido. Leandro não é caso único. Ele também já foi agredido.
Christian não é o super-homem; não é sequer rapaz encorpado; é um menino assustado, tem 11 anos, não terá 40 quilos, o rosto salpicado de sardas e tristeza. Os olhos dos pais pregados nele, os dele cravados no chão da sala. Não estava sozinho na luta. "Estava eu, o Márcio (irmão gémeo de Leandro), o Ricardo...", este e aquele, os nomes dos amigos como um ditado, ele encolhido, no colo um cão minúsculo a quem insistentemente afaga o pêlo. "Não conseguimos salvá-lo, já estávamos tão cansados". O lamento sabe a resignação e à inquietação de quem veio de outra escola, em Andorra, Espanha, onde "há mais pequena coisa, os professores chamavam os pais".
Havia motivos para baterem tantas vezes no Leandro? Responde Christian: "Todos batem em todos".

Fonte: JN

quarta-feira, março 03, 2010

Como falar de Sexo com os Filhos?

Sabem quando as criança ou até mesmo os adolescentes fazem aquelas perguntinhas difíceis de responder? Assim, sem mais nem menos, vem a pergunta. E quando é sobre sexo, pois é... ai, é que complica! Fazer o quê? Sair pela tangente, mostrar a borboleta voando na janela, simular um ataque de tosse, ou dizer: onde foi que você aprendeu isso, menino(a)?
Nem isso, nem aquilo. Melhor mesmo é abrir o jogo. Claro que, dependendo da idade, você não tem que dar uma aula completa sobre reprodução humana e práticas sexuais. Claro que você precisa usar o bom-senso e nada de inventar histórias mirabolantes. As criança precisam de explicação clara, didática e objetiva. Desde pequenas. Desde sempre. Mas você não precisa falar demais, nem de menos: é só responder o que ela perguntou, de preferência na linguagem em que você habitualmente conversa com ela.
Quando são adolescentes é outra coisa. Precisa ser bem esclarecido. Sobre gravidez e como evitá-la, sobre sexo seguro e DST (doenças sexualmente transmissíveis) e, também, sobre as práticas sexuais – e o seu lado positivo. Não se trata de estimular ou desestimular ninguém a fazer ou deixar de fazer sexo. O importante é orientar o jovem para viver a sexualidade (quando ele se sentir preparado emocionalmente para isso) de maneira madura e responsável.
Se é difícil falar sobre estas coisas com os filhos ou sobrinhos? Claro que é. Mas é necessário. E precisamos estar abertos – e informados – para conversar e explicar muito bem o assunto.

Laura Müller

Fonte: Vila Mulher

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